Quer ser um eterno idiota? DICA 2: Dance conforme a música

Por Jackson da Matadancecoformeamusica

Se você está disposto a ser um eterno inútil, siga os passos desta dica: dance conforme a música.

Pode parecer uma questão de bom senso, assim como deve haver várias formas de interpretação para este dito popular.

Dançar conforme a música pode ser o: “agir conforme a conveniência do momento”, ou “adaptar-se a determinadas situações”. Mas nem sempre adaptar-se é a solução.

Algumas situações exigem que nos encaixemos a determinados perfis.

“Se eu sou convidado a fazer parte de uma empresa, preciso me portar conforme as regras daquela empresa. Isso é uma questão de bom senso e profissionalismo!” – Sim, eu acredito nisso.

“Se eu tenho o hábito de fumar charutos a todo o momento em minha varanda, e estou no apartamento de um não fumante, jamais acenderei um charuto na varanda do não fumante.” – Sim, eu também acredito isso.

Ambos os exemplos são questões de bom senso. Assim como milhares poderiam ser citados!

Sim, é bonitinho dançar conforme a música, e sensato adaptar-se às situações que venham a surgir. Isso é tão lindo que ajuda a sermos eternos idiotas.

Calma! Não pense que quero induzi-lo a ser desequilibrado, antiético. Minha única intenção aqui é mostrar que quem dança conforme a música está apto à inutilidade. Não 100%, pois o mesmo pode continuar com atuações eficazes em seus grupos. Afinal, já sabem usar a leitura, a escrita e o cálculo para sobreviverem. Não é mesmo? Da mesma forma se portam os mais de 35 milhões de analfabetos funcionais em nosso país.

Para entendermos o que é dançar conforme a música, vamos lembrar a história de duas pessoas que resolveram não serem uns eternos inúteis: Bill Porter e August Landmesser. Que loucos, hein?

Eles nadaram contra a maré, confrontaram, se oporam às ideias vigentes em suas épocas.

Se você quer ser um eterno inútil não faça como eles, te sugiro a dançar conforme a música.

Percebam a riqueza na postura destes homens. E busquem lembrar-se de uns heróis anônimos que talvez vocês já tenham tido a oportunidade de conhecer. Algumas pessoas não conseguem notoriedade com seus feitos, mas conseguem mudar o mundo ao seu redor.

É não dançando conforme a música que fortalecemos os nossos músculos morais e temperamos nosso caráter com dignidade e honra.

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“Me dê a pior rota e eu posso provar que sou capaz”! — Bill Porter

Em setembro de 1932, na Califórnia, EUA, nascia Bill Porter. Um parto complicado com o uso de fórceps causou-lhe uma paralisia cerebral. Devido às sequelas, que causavam-lhe limitações na fala e nos movimentos, Bill teve muitas dificuldades, e entre elas, a de conseguir emprego.

Bill havia feito várias tentativas e recebido muitos nãos, mas ele carregava duas lições que havia aprendido de sua mãe: paciência e persistência.

Após muitas rejeições e preconceitos, Bill conseguiu emprego na multinacional Watkins Incorporated, mas não foi fácil convencê-los a contrata-lo.

Porter definitivamente venceu, pois não dançou conforme a música. Ele tornou-se o maior vendedor de porta em porta, ganhando um prêmio de vendedor do ano por ter vendido $42.460,00(dólares). Aprendeu com sua mãe a não ter vergonha de si e ter paciência perante as pessoas.

Claro, não dançar conforme a música também tem suas consequências ruins, como no caso de Bill, a tecnologia evoluiu e ele não quis se adaptar aos novos processos, tornando-se um “dinossauro”, pois não utilizava a tecnologia que estava à sua disposição.

 

“Gente comum. A coragem de dizer não”

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August Landmesser, em 13 de junho de 1936, decidiu não dançar conforme a música quando se recusou a fazer a saudação nazista.

Como mostrado na foto, centenas de pessoas fazem o cumprimento nazista enquanto August fica de braços cruzados. Naquele momento, eles estavam reunidos para assistir ao lançamento de um navio militar.

Landmesser havia sido expulso em 1935, por se casar com uma judia chamada Irma Eckler. Com ela, teve duas filhas e devido a isso foi preso, acusado de desonrar a raça ariana, a linhagem ‘mais pura’ dos seres humanos, como acreditavam os nazistas. No ano de 1941, August foi libertado e enviado à guerra.

A foto se tornou viral após ser publicada, com o título “Gente comum. A coragem de dizer não” com uma explicação sobre sua história, em uma página do Facebook chamada Senri No Michi.

Landmesser não dançou conforme a música, e claro, teve consequências ruins. Logo depois de partir para a batalha, foi declarado desaparecido em combate e presumivelmente morto durante a luta na Croácia, em 1944.

Talvez alguns pensem: “mas se Landmesser tivesse dançado conforme a música, ele poderia ter sobrevivido e jamais sofreria tais consequências ruins”. Claro! Sem dúvidas. Mas August Landmesser perderia a chance de mostrar ao mundo que seguiu firme naquilo que realmente acreditava e não se acovardou perante o poder nazista.

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Poderíamos citar muitas histórias de homens ou mulheres que não dançaram conforme a música, mas este não é o objetivo principal desta façanha. Com esforço, podemos notar que no decorrer do tempo muitas personalidades aprenderam a dizer não àquilo que conflitava os seus ideais, não às suas limitações. Pois não dançar conforme a música é quebrar paradigmas.

E como nascem os paradigmas?

Para finalizarmos este ponto, vamos conferir uma fábula popular sobre os Cinco Macacos Numa Jaula; um clássico sobre como é formado os paradigmas, confira:

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos em uma gaiola e, no meio desta, uma escada com bananas em cima.

Toda vez que um dos macacos começava a subir na escada, um dispositivo automático fazia jorrar água gelada sobre os demais macacos.

Passado certo tempo, toda vez que qualquer dos macacos esboçava um início de subida na escada, os demais o espancavam (evitando assim a água gelada).

Obviamente, após certo tempo, nenhum dos macacos se arriscava a subir a escada, apesar da tentação.

Os cientistas decidiram então substituir um dos macacos. A primeira coisa que o macaco novo fez foi tentar subir na escada. Imediatamente os demais começaram a espancá-lo.

Após várias surras o novo membro dessa comunidade aprendeu a não subir na escada, embora jamais soubesse por que.

Um segundo macaco foi substituído e ocorreu com ele o mesmo que com o primeiro. O primeiro macaco que havia sido substituído participou, juntamente com os demais, do espancamento.

Um terceiro macaco foi trocado e o mesmo espancamento foi repetido. Um quarto e o quinto macaco foram trocados, um de cada vez, com intervalos adequados, repetindo-se os espancamentos dos novatos quando de suas tentativas para subir na escada.

O que sobrou foi um grupo de cinco macacos que, embora nunca tenham recebido um chuveiro frio, continuavam a espancar todo macaco que tentasse subir na escada.

Se fosse possível perguntar a algum dos macacos por que batiam em quem tentasse subir na escada, com certeza a resposta seria: eu não sei – essa é a forma como as coisas são feitas por aqui.

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jacksondamata

Jackson da Mata nasceu em Manaus. É autor de, entre outros, A Próxima Cartada, A Expressão do Completo e O Maior dos Desafios.

Saiba mais em: http://www.facebook.com/jacksondamata

www.jacksondamata.portodelenha.com

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